Fabioxrafael – Cenas Soltas 1

LYRIC
Cenas Soltas 1

Acordo e abro os olhos
Que dia límpido para lutar contra mim próprio
Ou será que o que gera o meu ódio, que me faz pensar que sou catastrófico
Puxa um bafo da minha alma e dá identidade a mim próprio?
Ignoro-me
Ignoro o que sinto, o que quero o que desejo
Sou nada mais que um mero peão da pior versão de mim próprio
Sou um ser, mas não um ser qualquer
Um ser que quer ser sem poder ser um corpo de aluguer
Marioneta dos meus caprichos
Corpo oco sem qualquer sinal de vida
Cheio de incertezas e certo que vazio de alegria
Nostalgia? Zero
Vazio esse hemisfério da massa cinzenta que tanto aclamam ter e eu só vejo... Zero
Devagar abro as asas, negras e pesadas como três famílias em velório
Irrisório
Pensar que sou o que não sou e que valho o que nem por isso
Pensar que a vida meu deu frutos quando foi a negra da viúva que me deu um belisque
É triste
Elevo-me das areias com as mãos em alto a mandar um puto dum trovão
Parece um sonho esta realidade, fico? Ou vou? Então?

Bro implora a ti próprio
Que a metade da tua outra metade que não usa ópio
Me deixe libertar metade do teu ódio
Para que sobrem umas migalhas chamo-lhe ossos do ofício
E me sinta em casa em qualquer hospício
Faço surf em mares de sangue
Uso colunas e vértebras como prancha
Em prancha empranchada até lhe doer a mancha
Sem canal, oral, individual, trimestral
É quando o teu julgamento cai sobre a terra
Tal e qual como a tua dignidade dissolvida no sal das tuas palavras
Ou diria melhor merda?
Junta-te aos teus manos nas águas
Flui agarrado a papel molhado e beatas de cigarros mistério
Odeith
Mancho-te os cantos e ponho-te em perspetiva
Até esvaziar a tua alma e esmiuçar-te dessa miséria que chamas de vida

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